Capítulo III - O Doutor
Rômulo estava sentado na cama olhando fixamente para o doutor Stuart enquanto ouvia o que o mesmo tinha para falar com ele:
- Relaxe, estou aqui apenas para tratá-lo. Eu trabalho nesse hospital há cinco anos e tenho uma boa influência por aqui, por isso decidi trazê-lo para cá, pois assim posso te manter mais próximo a mim e também poderei te defender caso mais alguém venha a atacá-lo.
Rômulo olha assustado e pergunta:
- Por que me defender? Não disse que entraria em seu grupo e...
Stuart interrompe Rômulo antes mesmo que ele acabasse sua frase:
- Não faço isso para você entrar no meu grupo e sim para que possa te defender, pois dentre todos nós que descobrimos esses poderes, você é o mais fraco até então, pois só os descobriu a menos de duas semanas e nem sabe utilizá-los direito ainda, por isso pretendo defendê-lo.
Rômulo respira fundo, pensa durante uns seis segundos e retruca:
- Mas e se eu escolher o lado oposto ao seu, no caso, a Fênix?
Stuart ri e gosta da pergunta de seu paciente:
- Bem, nesse caso, infelizmente teremos que lutar caso você tente machucar algum ser vivo, apesar de eu ser completamente contra qualquer tipo de violência.
Eles ficam em silêncio por alguns minutos, até que a porta se abre, acabando com o silêncio:
- Doutor Stuart, precisamos de você urgentemente!
Stuart olha como se fosse um pai para Rômulo e sorri:
- Tenho que ir, qualquer problema não se preocupe em me chamar
Rômulo pergunta algo antes dele sair de seu quarto:
- Você não me parece ser brasileiro, você é de algum outro país? É que seu sotaque é meio estranho.
Stuart apenas olha para trás e responde:
- Sim, não sou brasileiro, sou inglês, mas vim para o Brasil com cinco anos de idade. – Stuart espera uns poucos segundos com a porta aberta enquanto lembrava de seu passado, logo após se dá conta que deveria comparecer na sala de cirurgia – Bem, tenho que ir, até mais, logo volto para visitá-lo.
Stuart sai do quarto 304 e ruma direto ao centro cirúrgico enquanto lembrava de seu passado.
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Londres, Inglaterra - 10/11/2023
- Venham, venham, entrem nos abrigos! Rápido!
Em meio a Guerra de Independência e União das Irlandas, a praça principal de Londres estava para ser atacada pelo exército Irlandês e algumas poucas pessoas cediam seus abrigos subterrâneos para os que não o tinham ou que estavam na rua.
- Rápido, entrem logo, irei fechar!
O homem que estava cedendo seu abrigo começa a fechar a porta de sua casa para ir para o abrigo também, quando chega mais um par de jovens:
- Ei, senhor, não feche ainda, deixe-nos entrar também, minha mulher esta grávida e está prestes a ter o filho, por favor, nos deixe entrar também.
O homem abre a porta e os deixa entrar. Começam os barulhos ensurdecedores dos bombardeios. Eles correm em direção ao abrigo. A mulher grávida entra com certa dificuldade e seu marido começa a entrar, quando eles ouvem o barulho do bombardeio mais próximo ainda deles. Eles também ouvem um outro grande barulho e um grito de ajuda. Era o dono da casa que havia ficado preso entre alguns escombros que acabavam de cair em cima dele. Vendo isso, o marido da grávida decide ir ajudá-lo. A mulher grávida tenta impedi-lo, mas infelizmente cai um pedaço do teto em cima do alçapão que era a entrada do abrigo e apesar do esforço de todos, ninguém consegue abrir novamente o alçapão para tentar ajudar aos dois homens que haviam ficado do lado de fora do abrigo.
Passam-se mais algumas horas e quando o barulho de bombardeio é cessado e tudo volta a se aquietar, o abrigo é aberto com um esforço conjunto de todos e todos saem. A mulher grávida de imediato procura seu marido, mas não o encontra nem o dono da casa que a ajudou. Ela cai em prantos enquanto é levada para um outro lugar, onde ficavam os desabrigados pela guerra, por uma amiga que ela fez enquanto estava presa no abrigo. Ambas viram grandes amigas. Não demora muito tempo e a grávida dá a luz a dois gêmeos e para o azar de seus dois filhos que havia nascido desse parto, ela morre. A mulher que a grávida conhecera antes de morrer decide cuidar dos dois filhos de sua falecida amiga.
Cinco anos decorrem desde o nascimento dos gêmeos e a guerra pela libertação da Irlanda ainda estava longe de acabar. A mulher que salvara os dois gêmeos da morte iminente se chamava Lucy Stuart e deu o nome para um dos gêmeos de Rafael Stuart e para o outro de Gabriel Stuart. Ela estava com passagens de navio já compradas para fugir para o Brasil, um país que ela ouvira falar muito bem pelas suas belezas naturais e sua falta de guerras e desastres naturais, ou seja, esse seria um ótimo país para se instalar. No dia do embarque, um dos meninos acaba se perdendo no meio da confusão para entrarem no navio e fica em Londres, enquanto Lucy e Rafael navegam em direção ao Brasil. Ao descobrir que um dos meninos havia ficado, Lucy se desespera e se sente extremamente culpada e irresponsável, mas não havia mais como voltar e ela se decide a não deixar que nada de mau aconteça com Rafael, o irmão gêmeo que continuou com ela.
Chegando ao Brasil ela encontra com um brasileiro com o qual se casa e tem mais dois filhos. Rafael entra no colégio. Ele sempre era o mais aplicado e que tirava as melhores notas da turma e, exatamente por isso, acabava também sendo motivo de piadas e mau tratamento. Mas ele supera tudo isso e passa para a faculdade de medicina, se tornando também o primeiro da turma e se formando sem repetir um ano. Seu currículo acaba sendo um dos melhores do setor no qual ele se formara e é contratado logo ao sair da faculdade por uma ótima empresa hospitalar. Rafael aceita sem nem pensar. Um dia, enquanto realizava uma cirurgia arriscada, descobre sobre seus poderes. Ele poderia curar um ferimento apenas ao toque e, no final do mesmo dia, ele descobre que também podia criar esferas e raios de luz. Não muito depois o chamam para fazer parte dos Dragões e ele sem cogitar aceita.
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- Doutor Stuart, doutor! O que houve com o senhor?
A enfermeira da um beliscão em Stuart, que estava perdido em seus pensamento:
- Ei, por que me beliscou?
Ela responde prontamente:
- O senhor estava no mundo da lua outra vez. O que houve? É sobre seu irmão novamente?
Stuart abaixa a cabeça tristonho e começa a colocar suas vestimentas para a cirurgia:
- Sim. Gostaria de saber onde ele está a essa hora. Gostaria de saber se ele está bem.
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Rômulo estava deitado, olhando para o teto e pensando se ele se uniria ou não aos Dragões, pois ao menos eles pareciam ser mais justos e honestos que o outro grupo quando, ele vê algo estranho àquela hora da tarde: Um corvo. Ele pousa na sua janela e fica a observá-lo. Rômulo se levanta calmamente, pois ainda estava muito dolorido e machucado da última luta e chega perto do corvo. O corvo não se afasta, ao contrário, se aproxima mais ainda e, no momento que Rômulo se aproxima mais da janela, o corvo entra no quarto e pousa no suporte do soro, continuando a observar Rômulo. O corvo voa em direção ao chão e antes de encostá-lo, ele se transforma em um humano de pele acinzentada, cabelo azul com moicano, luvas azuis, blusa azul também e meio rasgada, com a figura de um lobo em seu centro, calças completamente esfarrapadas e verdes vestindo também uma sandália com as amarras até o joelho.
- Venha comigo Rômulo, preciso que você se una a nós, Cavaleiros da Ordem da Fênix.
Figura 3:
"(...) quando ele vê algo estranho àquela hora da tarde: Um corvo. Ele pousa na sua janela e fica a observá-lo. (...)"
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
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